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EcoNoronha: Espécies invasoras em Noronha

EcoNoronha: Espécies invasoras em Noronha

O arquipélago de Fernando de Noronha é conhecido mundialmente por sua natureza exuberante, praias com águas cristalinas e beleza natural, um destino sonhado por todos. Mesmo sendo uma Unidade de Conservação, seus problemas ambientais estão longe de acabar. 

Normalmente, ilhas e arquipélagos são considerados ambientes frágeis do ponto de vista ecológico. Sua fauna e flora possuem populações reduzidas com distribuição limitada e alto grau de endemismo, são sujeitas as adaptações específicas às regiões que habitam e são mais vulneráveis à predação e competição por recursos, ou seja, qualquer desequilíbrio, como a introdução de uma nova espécie, tem potencial mais devastador que teria em um ecossistema continental.

A introdução de espécies exóticas invasoras é considerada a segunda maior causa da perda de biodiversidade, logo atrás do desmatamento, doenças e predação podem causar a extinção de espécies nativas. Além de causar riscos para espécies locais, provocam danos econômicos, sociais e até mesmo culturais

Foto: Fernando de Noronha - AdobeStock

Diante desse cenário, a EcoNoronha, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), realiza um projeto de erradicação de vegetação exótica invasora do Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha. 

Esse projeto conta com o cultivo de mudas nativas de Noronha com objetivo de reflorestar o parque nacional. Além da produção de mudas, envolve também atividades de retirada de vegetação exótica invasora em áreas estratégicas e outras metodologias de controle de dispersão delas no local.  

Foto: Viveiro de mudas - Grupo Cataratas 

 

Algumas espécies invasoras em Noronha:

  • Ratos e ratazanas (Rattus sp.) e Camundongos (Mus musculus)

Vieram juntos de navios, e se estabeleceram na ilha, alimenta-se principalmente de ovos de aves marítimas nativas como atobá, rabo-de-junco e cocoruta. 

  • Lagarto teiú (Salvator merianae)

Foi introduzido na década de 60 para controlar a população de ratos e sapos, entretanto ao contrário dos roedores, que possuem hábitos noturnos, os teiú possui hábitos diurnos, então passou a se alimentar de espécies nativas da região, como os mabuias (lagarto encontrado apenas em Noronha), aves e caranguejos, além de ovos de aves e tartarugas. Mesmo sendo nativo do Brasil, tornou-se uma espécie invasora em Noronha. 

  • Animais domésticos 

Cães e gatos são vetores de novas doenças e parasitas para a fauna nativa do arquipélago, e predadores de espécies nativas, além de animais rurais que transformam a vegetação nativa em pasto.

  • Mocós (Kerodon rupestris)

Foi introduzido em meados de 1960, pelos militares, para servir de caça aos soldados.

  • Plantas

Das várias espécies invasoras de plantas e vegetais destaca-se o sabiá (Mimosa caesalpiniifolia), árvore típica da caatinga, o algodão-de-seda (Calotropis procera), a cana-brava (Arundo donax), entre muitas outras.

 

Para reverter essa situação é necessário tomar medidas de fiscalização de chegada de pessoas e mercadorias, elaboração de trabalhos científicos, trazer o envolvimento comunitário para a causa e realizar atividades de educação ambiental conscientizando a população para a importância da conservação de espécies nativas

 

Referências 

Grupo Cataratas: Erradicação de espécies exóticas invasoras em Fernando de Noronha

Panorama Cultural: Espécies invasoras em Fernando de Noronha

PERNAMBUCO, Dossiê. Contextualização sobre espécies exóticas invasoras. Recife, Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste, 63p, 2009

 


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