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Baía Urbana

Baía Urbana

O Rio de Janeiro possui uma beleza única, não à toa é reconhecido como cartão postal. O estado do Rio, antes conhecido como Cidade da Guanabara, recebia esse nome em homenagem a baía que na época não era tão reduzida em tamanho e em biodiversidade como nos dias atuais.

A cidade foi retratada como uma terra de lagoas, pântanos, mangues e uma exuberante paisagem entre montanhas e mar descrita no século XV por estrangeiros, como “paradisíaco”, onde centenas de aldeias indígenas povoavam a região, os quais eram profundos conhecedores das propriedades advindas da biota daquele lugar.

Baseado nos relatos de contexto histórico pode-se perceber a grandeza de ecossistemas existentes na época, os quais foram ao longo dos anos radicalmente transformados por projetos arquitetônicos com o objetivo de transformar a cidade em um modelo urbano moderno (VIEIRA, 2009). Mediante o Plano de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro, iniciou-se então a reestruturação arquitetônica da cidade baseada principalmente em grandes aterramentos.

A Baía de Guanabara foi verdadeiramente prejudicada por essas transformações (ALENCAR, 2016), tendo em vista que, era muito rica em biodiversidade, mas devido às ações humanas e todo esse contexto histórico de degradação, aterramento, desmatamento e a poluição gerada pela comunidade do entorno, contribuíram significativamente para a perda dessa biota.

A Baía é um verdadeiro berçário a céu aberto, sendo classificada como o segundo maior estuário do Brasil (INEA, 2021), desempenhando um papel importante para o ecossistema. Você sabia que antigamente a Baía era um ponto de parada para as baleias terem seus filhotes? De acordo com o Instituto Baía de Guanabara, devido o desequilíbrio, elas desapareceram e não só elas, mas o número de tartarugas e botos também foi reduzido, além de espécies criticamente ameaçadas de extinção como a raia-borboleta (Gymnura altavela), entre outros.

Com o intuito de reduzir esse desequilíbrio e trazer de volta parte dessa biodiversidade, hoje a Baía de Guanabara conta com diversos projetos de conservação e manejo de animais, além de ações de limpeza e de reflorestamento nas áreas de mangue.

É importante ressaltar a necessidade de se trabalhar com as comunidades do entorno que muitas das vezes dependem daquele recurso natural para sua sobrevivência, contudo, não possuem dimensão do real valor daquele ecossistema para a vida e manutenção do Planeta. Por isso, é imprescindível a implementação de leis costeiras (BEGOT & VIANNA, 2014), projetos contínuos de educação ambiental, além do apoio à pesquisa e as instituições como aquários que realizam estudos para a conservação de espécies criticamente ameaçadas.

Aqui estão alguns exemplos de importantes instituições que atualmente contribuem diretamente para a conservação da biodiversidade da Baía de Guanabara: AquaRio, Cavalos-Marinhos do Rio de Janeiro, Guardiões dos Mares, Instituto Mar Urbano, Instituto Meros do Brasil, Instituto Baía de Guanabara, Instituto Mar Adentro, INEA e UFRJ.

Referências:

ALENCAR, Emanuel. Baía de Guanabara: descaso e resistência. 2016.

BEGOT, Ligia Henriques; VIANNA, Marcelo. Legislação pesqueira costeira: o caso da Baía de Guanabara, RJ. Boletim do Instituto de Pesca, v. 40, n. 4, p. 497-520, 2018.

INEA – A Baía de Guanabara – Acessado em: 25/05/2021 – Disponível em: http://www.inea.rj.gov.br/Portal/MegaDropDown/Monitoramento/Qualidadedaagua/Baias/BaiadaGuanabara/index.htm

VIEIRA, Márcio Viveiros. O Programa de Despoluição da Baía de Guanabara. Entraves institucionais e impactos territoriais na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. 2009.


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Rayssa Pires
Rayssa Pires Seguir

Graduanda em Biologia, atualmente cursando o último período da faculdade. Desenvolvendo pesquisas com morcegos na área de conservação e divulgação científica, além de estagiar no BioParque do Rio na área de Pesquisa e Conservação.

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