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Arara-Canindé Voltará às Florestas Cariocas Depois de Mais de 200 Anos

Arara-Canindé Voltará às Florestas Cariocas Depois de Mais de 200 Anos

A arara-canindé também é conhecida como arara-de-barriga-amarela, canindé, arara-amarela e ara-arauna, chega a medir até 80 cm de comprimento. São animais sociáveis e monogâmicos que vivem em pares, podendo formar grupos com mais de 30 indivíduos. 

Elas podem ser encontradas desde a América Central até o sudeste do Brasil, Bolívia e norte do Paraguai, sendo uma espécie simbólica do cerrado brasileiro. Em certas épocas do ano, migram em busca de alimento, deslocando-se em grandes distâncias de mais de 30 quilômetros (20 milhas) por dia. Sua fonte de alimento é basicamente sementes e frutas, desempenhando um papel fundamental para a biodiversidade na dispersão de sementes, auxiliando para o equilíbrio do ecossistema e reflorestamento. 

Infelizmente a arara-canindé foi extinta em áreas de sua distribuição original como resultado da perda e fragmentação de habitat, caça ilegal e principalmente pelo tráfico de animais selvagens. O Rio de Janeiro é uma dessas áreas de ocorrência natural da espécie, no entanto já faz mais de 200 anos que elas estão extintas na Mata Atlântica carioca.

Foto: BioParque do Rio

 

Parceiros da Esperança  

Em prol da conservação e para reverter a defaunação dessa espécie, o Instituto Conhecer para Conservar, o BioParque do Rio e o Refauna (UFRJ), têm o audacioso e importante objetivo de restabelecer a população de araras-canindé no Rio de Janeiro, através de um projeto que envolve a reintrodução desses animais no Parque Nacional da Tijuca - RJ.

O Refauna (UFRJ), desde 2010, busca a refaunação dos remanescentes da Mata Atlântica, promovendo a translocação e reintrodução de animais, visando a conservação de espécies nativas e a restauração de interações e processos ecológicos em áreas naturais. Até o momento, foram introduzidas populações de cutia vermelha (Dasyprocta leporina), bugio ruivo (Alouatta guariba) e de jabuti-tinga (Chelonoidis denticulatus) no Parque Nacional da Tijuca e de anta (Tapirus terrestris) na Reserva Ecológica de Guapiaçu. 

O Instituto Conhecer para Conservar é uma associação sem fins lucrativos que atua na execução de projetos que contribuem para a proteção, conservação e recuperação do meio ambiente, promovendo a educação ambiental e o desenvolvimento sustentável. Atua nesse projeto de reintrodução com ações educativas de sensibilização e engajamento de visitantes e moradores do entorno do Parque Nacional da Tijuca, além de apoio técnico e operacional. 

O BioParque do Rio participa desse projeto e no momento executa a etapa de reprodução de araras-canindés, em agosto deste ano foram instalados ninhos no recinto de imersão do parque com objetivo que os casais gerem filhotes que serão preparados para a vida na floresta, receberão treinamento sobre as fontes de alimentos na natureza, o perigo de predadores e como evitar as linhas de transmissão de energia, em seguida, 10 jovens serão liberados anualmente no Parque Nacional da Floresta da Tijuca, durante 5 anos.

Foto: Instalação de ninho no BioParque do Rio

Dê o PLAY e veja mais detalhes sobre a atuação do BioParque na conservação das araras-canindé:

Os filhotes de araras que nascerão no BioParque, terão o acompanhamento do seu desenvolvimento desde a fase embrionária ainda no ovo, e no momento certo receberão treinamento e depois são translocadas para o recinto de aclimatação no Parque Nacional da Tijuca em seguida serão liberadas na floresta. 

Como resultados deste projeto, pretende-se ter ao final de cinco anos, uma população viável de arara-canindé estabelecida no Parque Nacional da Tijuca e servir de modelo para futuras reintroduções de araras na Mata Atlântica. Serão realizadas atividades educativas em escolas e associações de moradores, além de ações de sensibilização e criação de material de divulgação para os usuários do PNT.

Os visitantes do BioParque do Rio são impactados pelo projeto ao entrarem no recinto de imersão onde encontram cerca de 50 casais de araras-canindé e dezenas de ninhos produzidos especialmente para a reprodução desses animais. 

Recentemente a atividade educativa  Bastidores da Conservação deu a oportunidade exclusiva para famílias do Programa Sócio Anual do BioParque acompanharem de perto como são os ninhos instalados nos recintos, uma atividade de educação ambiental mediada pela equipe de educadores do parque, os convidados aprenderam sobre a importância da arara-canindé na natureza, e puderam descobrir detalhes do projeto em andamento para a conservação dessa espécie.

Foto: Família Sócio do BioParque observando os ninhos 

Não fique de fora dessa história! Sabia que 5% do valor arrecadado com o Programa de Sócio Anual do BioParque é destinado às pesquisas e ações de conservação desenvolvidas pela instituição? Sendo sócio você pode contribuir diretamente para os avanços na conservação das araras-canindé, ter visitas ilimitadas durante um ano inteiro e acesso a várias vantagens exclusivas! Clique aqui para mais informações.

Foto: Família Sócios do BioParque

REFERÊNCIAS 

ARARA-CANINDÉ. Disponível em: https://www.parquedasaves.com.br/aves/arara-caninde/  Acesso em: 17 set. 2021.

ARARA-CANINDÉ. G1.Globo. Disponível em: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/fauna/noticia/2015/01/arara-caninde.html  Acesso em: 17 set. 2021.

BILLER, DAVID. Last wild macaw in Rio is lonely and looking for love. Apnews. Disponível em: https://apnews.com/article/health-coronavirus-pandemic-environment-and-nature-3632d009dc9f6929e4cf15a38fa58b00. Acesso em: 17 set. 2021.

 


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